segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sempre escolhem o caminho mais fácil

Às vezes porque o caminho mais fácil é também o mais, digamos, de acordo com os interesses imediatos.

Podiam educar as pessoas. Podiam ensinar o português corretamente nas escolas. Podiam ensinar as pessoas a apreciar a cultura, a entender a arte. Até podiam ensinar que ver um filme legendado não vai fazer você perder a ação. Podiam ensinar a respeitar as diferenças, a respeitar a vida.

Mas não. Não é isso o que fazem. Não é isso o que querem.

Preferem “ensinar” um português que, querendo ou não, as pessoas já aprendem na rua. Veja bem: eu sou redatora publicitária. Nunca precisei aprender a dizer “nós pega o peixe” na escola. Mas se eu tiver que criar um personagem que por algum motivo fale dessa maneira, eu vou saber como fazer. E o mais importante: vou saber que é errado. Sim, errado. “Preconceito linguístico”? Faça-me o favor!

Preferem deixar a arte e a cultura meio de lado, ali no cantinho, como que só para constar. E, ainda assim, abordam-na com visão estreita, cheios de dedos e regionalismos do tipo “este é bom porque é nosso, esse não presta porque é de tal lugar”. Dar valor ao local? Ok. Mas dar valor apenas ao que é local e pelo simples fato de ser local? Falta de senso crítico.

Preferem colaborar com a preguiça e o analfabetismo funcional e colocar apenas cópias dubladas de filmes com classificação 12 e 14 anos. O que é isso? Uma tentativa de encher as salas de cinema? Por que não dar as duas opções – cópias dubladas e legendadas? A velha história: a maioria das pessoas que gostam de verdade de cinema e preferem filmes legendados deixam de ver na tela grande se ele for dublado. Mas e quem prefere dublado, deixa de assistir se for legendado? Será?

Preferem manter a cultura do ganhador/perdedor, do esperto/mané e outras dualidades idiotas incitando até conflitos de classes sociais. Isso é tão século XIX!! Que tal progredirmos um pouco?

E tantas coisas ruins causadas por ganância, egoísmo, descrença, pressa.

Todo mundo querendo abraçar o mundo com as pernas. E agora.

Um comentário:

Nilma Cardoso disse...

Gostei muito do seu comentário a respeito da "cultura da ignorância" que se instaurou em nosso país. Mas não poderíamos esperar outra coisa de um país governado por pessoas corruptas e desprovidas de caráter. Após um ex-presidente semi-analfabeto, boa vida, declarar que não gosta de ler, o que mais poderíamos esperar? Sem contar com a própria atuação da mídia brasileira que "emburrece" a maior parte da população ao exibir programas da mais baixa qualidade e que não veiculam nenhum tipo de incentivo à busca pelo aprimoramento do ser humano por meio do conhecimento, da cultura e da arte. Infelizmente, estamos em um país em que muitos "pega o peixe" e ainda "vaum pegar". Não há nada que barre essa estupidez institucionalizada. Se o próprio MEC fecha os olhos ante tamanha barbaridade, então quem somos nós para censurar o "inovador" e estranho tipo de linguagem? Quem sabe futuramente não sairá uma lei no parlamento tipificando o "crime de preconceito linguístico" como delito hediondo e inafiançável? Melhor nóis pega o peixe mermu!