domingo, 31 de janeiro de 2010

Olhar e transformar

Como diria o sábio John Lennon, “living is easy with eyes closed”. E, realmente, só não enxergando o mundo com todos os seus significados, como uma criança, pode-se achar fácil e indolor viver. Não que isso tudo seja ruim. Olhando de uma forma positiva, é tudo absolutamente fascinante.

Sério, eu ainda fico intrigada e fascinada com as pessoas que me cercam, as situações, as reações. As formas diferentes com que cada uma delas lida com a vida, com o tempo. O modo como duas pessoas aparentemente tão parecidas podem divergir em absoluto sobre um determinado assunto, ao passo que pessoas visivelmente inversas podem agir da mesma forma diante de uma situação.

Eu não quero fechar meus olhos. Prefiro mantê-los bem abertos, observadores. Mas também não quero admitir que fechá-los seja a única forma “fácil” de viver.

Pensando nisso, decidi que, para mim, é época de transformar.

Transformar dor em aprendizado, raiva em força, inquietações em vontade. Transformar colegas em amigos, amigos em melhores amigos, antigos incômodos em novas distrações. Riscos em desafios, solidão em independência, sonhos em possibilidades. E por aí vai.

Afinal, tudo só depende da forma como você encara as coisas. Principalmente as lições. Quando falo em lições, não me refiro apenas a momentos difíceis. Vejo que momentos de sorrisos podem ser grandes lições também.

São essas as aulas que me interessam agora.


“Strawberry Fields forever...”

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Harmonia

Em boa parte das coisas que eu fiz de Natal e Ano Novo na Agência tinha a palavra “harmonia”. E por algum motivo, toda vez que eu olhava pra ela nos layouts, me chamava um pouco a atenção. Parecia que ela se separava um pouco dos desejos de paz, amor, saúde, prosperidade. Se destacava.

No Ano Novo, quando cada um dos presentes tinha que dizer uma palavra do que desejava em 2010, qual foi a que saiu da minha boca? Harmonia!

Nos primeiros dias do ano, eu comecei a achar isso muito irônico. Que “harmonia” era essa? Parecia que estava tudo se desarmonizando. Parecia que tudo estava se desmontando. Os fiozinhos de esperança de que essa harmonia chegasse foram sendo cortados um a um.

Depois eu entendi. Tem até aquela frase que diz que para você construir, às vezes, é necessário você desconstruir, desmontar, para colocar tudo no lugar. Inclusive no próprio Ano Novo eu escutei uma analogia como essa: para você organizar uma casa, reformar, é preciso tirar tudo de dentro e colocar cada coisa no seu lugar de novo, com cuidado para que realmente fique mais bonito e não mais feio.

Aí eu comecei a entender: talvez esse desejo de um 2010 de harmonia fosse mais que só um desejo, talvez eu tenha tido a chance de perceber que é o que eu preciso. E eu fui atrás de tentar harmonizar as coisas. Me reconstruir. Acho que é isso que eu tô tentando fazer agora, com tudo.

Reconstruir a ‘Roseana’ publicitária, profissional, redatora, criativa; descobrir uma segurança, uma busca, uma vontade de chegar onde eu quero. Deixar de ter medo do que sai da minha cabeça. Deixar de ter medo de parecer tola ou algo assim.

Reconstruir a ‘Roseana’ filha, que precisa ir reconquistando não só a confiança, mas até mesmo o orgulho da mãe e do pai. Que eles possam olhar pra mim e dizer: “Poxa, minha filha é forte, tá crescendo, aprendendo, se segurando sozinha”.

Reconstruir a ‘Roseana’ amiga, que acha interessante conhecer gente, conversar, saber como as pessoas vêem as coisas, como elas se comportam, o que elas querem. Que vai atrás de se envolver com as pessoas, sair, se divertir, fazer coisas diferentes. Sem esquecer as amizades antigas.

Uma outra ‘Roseana’ também que precisa de paciência com o tempo para se reconstruir.

Mas, acima de tudo, há a necessidade de reconstruir a ‘Roseana’ para a Roseana, como pessoa, como eu me vejo, o que gosto de fazer, o que me faz sentir bem, o meu eu, mesmo. Mas é claro que numa versão melhorada.

Então eu espero que essa reconstrução toda me leve a tal da “harmonia”. Às vezes eu sinto ela chegando. Pode até ser um pouco cedo, mas eu fico de novo com aquela esperança de que eu vou conseguir chegar lá.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Alguém entendeu como eu?

Nós somos o tempo todo ensinados que vivemos numa sociedade onde todo mundo é igual. Aprendemos que rotular é errado, que é necessário conhecer bem as pessoas para saber quem elas realmente são. Acabamos nos dando conta de que julgar que a pessoa “X” e a pessoa “Y” são iguais por compartilharem de algum atributo físico ou psicológico não é algo válido. Melhor todo mundo igual mesmo, com suas diferenças, misturados.

Aí vem o Big Brother 10 e separa todo mundo em tribos.

Tudo bem, de certa forma até ajuda a mostrar que você ser gay, cult ou ter um corpão não define você como pessoa.

Mas, ainda assim, me soou logo de início como uma tentativa da própria Globo de separar. De “forçar” uma afinidade entre essas pessoas. Ou até como uma dica para os participantes de como ele vai ser retratado (pelas edições, principalmente).

Se eu estivesse ali dentro e fosse colocada em tribos tipo “Belos” ou “Sarados”, eu ia abrir meus belos olhinhos pra tentar mostrar, “Ei! Eu não sou só isso”. “Cabeças”? Opa, sinal que te acharam com cara de inteligente. Melhor colocar um biquininho minúsculo e pular na piscina, porque beleza encanta e beleza vende! Entendem? É dica.

Resta saber qual “raça” será segregada primeiro.

Isso, BBB. Vai ficando mais descarado. Um dia a massa enxerga.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Infinito

Ontem à noite eu olhei para o céu e vi Marte bem vermelhinho. Desejei ter pelo menos meus binóculos para vê-lo mais de perto. As Plêiades, Orion... pensei na vida - coisa que venho fazendo mais que o normal ultimamente.

Antes mesmo de continuar, já aviso que não é um post fúnebre ou algo assim, como alguém pode pensar ao ler as próximas frases.

Algumas pessoas têm o desejo de ser cremadas ao morrer. Particularmente, eu nunca tive esse desejo. Só de me imaginar diminuída à cinzas me dá calafrios (não que uma ossada dentro de uma sacolinha plástica seja muito reconfortante, mas ainda assim). Ainda que eu ache bonito o que, por exemplo, foi feito das cinzas daquela menina da tragédia em Angra dos Reis, a Yumi. Ela teve as cinzas espalhadas no mar, nas montanhas, para que sempre que lembrassem dela, a sentissem presente nesses lugares.

E aí eu pensei que, se eu tivesse que ser cremada quando morresse (daqui a muitos e muitos anos, se Deus permitir), eu não ia querer virar um pó dentro de uma urna e ser parte da decoração da casa de seja lá quem fosse. Se eu pudesse escolher um lugar para que minhas cinzas fossem jogadas, eu escolheria o espaço. "Olha, ela quer virar lixo espacial". Não, bobinhos. Eu queria estar perto das estrelas. Dos planetas. Da energia, da luz, do infinito.

Daí, quando olhassem para o céu, não iria ser pura imaginação a ideia de que eu estaria lá. De alguma forma eu estaria em toda a parte, o tempo todo.

Loucura?

sábado, 16 de janeiro de 2010

Autoavaliação de metas

Resolvi fazer uma manutenção dos meus desejos de Natal e Ano Novo que tinha postado há algumas semanas.
"Falar menos sobre trabalho nas horas de descanso."
Considerando que nos últimos dias e me aproximei bastante de M. e C., sim, falamos de trabalho, é inevitável. Mas não foi nada ruim. Acho que contribui para uma certa sinergia. E também para que nós três saibamos que, às vezes, nos sentimos exatamente da mesma forma.
"Pensar menos em jobs nas horas de descanso."
Falar de trabalho não é exatamente pensar em jobs. Se eu fiz isso em algum momento nesses dias, foi muito pouco e com motivos totalmente compreensíveis (ocupar a cabeça). Mas nada de estresses.
"Falar menos palavrão."
É, eu ainda ando xingando demais. Mas eu não xinguei o motorista do caminhão pipa que me fez dar duas voltas no quarteirão para estacionar o carro na minha própria garagem em plena hora do almoço. Isso é um sinal de melhora?
"Falar mais devagar."
Eu esqueço a maioria das vezes. Mas tô tentando, sim.
"Parar de ter medo de expor algumas ideias."
É aqui que entra a tal da sinergia. Fica muito mais fácil pra mim, falar quando há um nível de confiança. Mas não é só isso, acho que andei adquirindo uma independência que me dá até mais segurança para fluir e acreditar mais no que sai da minha cabeça.
"Fazer mais exercício físico."
Duas vezes por semana, seja caminhar na praia, seja malhar na sala de ginástica do prédio. Mas me mexo. Quero aumentar para três vezes por semana.
"Ser menos compulsiva."
Compulsiva e impulsiva? Acho que até me superei, apesar da TPM ter atrapalhado um pouco. Mas ainda dá pra melhorar.
"Ser menos ansiosa e desesperada."
Ótimo ponto. E eu diria quase o mesmo do tópico acima. O desespero eu acho que posso chamar de pânico, e eu lembrei como controlá-lo, ainda que seja um exercício para todos os dias. Mas já dá pra ver melhora.
"Visitar mais meus avós."
Isso só o tempo dirá, mas eu já passei um final de semana inteiro lá. Tá, porque meu pai veio pra cá, mas ainda assim, conta.
"Estudar mais."
Isso eu acho que ainda não fiz exatamente. A não ser pelos livros de publicidade que o R. me emprestou.
"Ler mais."
Os livros de publicidade. Os outros eu mal tive tempo, mas arranjarei.
"Ver mais filmes."
Só o tempo, também.
"Mandar consertar meu computador."
Not.
"Discutir menos por besteira."
Hahaha. Depende, com quem? Em casa, melhor. No trabalho? Eu nunca discuti com ninguém que está lá atualmente, acho. Pelo menos não fora da minha mente, no mundo real.
"Me divertir mais."
Oba, adoro os tópicos que posso dizer que estou cumprindo. Haha. Acho que estou mais aberta a topar as coisas com menos pré-julgamentos sobre se vai ser realmente tão divertido.
"Ir aos médicos que preciso ir, fazer todos os exames e voltar a consultá-los."
Não ainda. Preciso marcar.
"Cuidar melhor do meu dinheiro."
Yep.
"Me dedicar a aulas de francês, inglês ou espanhol."
Nota mental: lembrar de olhar o sitezinho que a M. passou.
"Voltar ao ballet, ou pelo menos tentar."
Liguei para saber. Não atendem.
"Comprar meu binóculos e voltar a estudar astronomia."
Dentro de 15 dias, se tudo der certo.
"Resolver meus problemas de sono."
Acho que até que melhorou um pouco. Talvez eu esteja tão mentalmente desgastada na hora de dormir que simplesmente apago sem nem mesmo ter medo de com o que vou sonhar.
Autoavaliação: estou dentro do planejado. Mas são só 15 dias...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Dias de descobertas

Os últimos dias têm sido de muitas descobertas para mim. Descobertas sobre mim mesma, em sua maioria.

Descobri, por exemplo, o porquê de eu entrar em estados de ansiedade meio agudos e certo nervosismo quando o meu pai está na cidade. E isso já se arrasta por muitos anos, mas eu nunca tinha atingido esse grau de entendimento acerca das coisas. É estranho. Aliás, é como se ele fosse um estranho. Por mais que a internet tenha nos aproximado e que eu consiga conversar normalmente com ele pelo telefone, pessoalmente é um estranho. É como se houvesse uma separação entre conexão emocional e conexão física.

Eu tenho que falar tudo isso pra ele, mesmo sabendo que ele não vai entender. Perdi a oportunidade de fazer isso, já que ele foi embora ontem. Agora sabe lá Deus quando farei isso. Talvez mande uma carta. Não foi isso que ele sempre fez comigo quando queria despejar seu sentimentalismo em mim?

Essa e outras descobertas me dão a sensação de estar voltando a saber quem eu sou. Lucidez que tinha se perdido entre jobs, brigas e preocupações que fizeram com que eu até esquecesse como controlar uma crise de ansiedade, esquecesse de olhar um pouco mais de perto para mim mesma e encontrar minhas próprias forças para fazer tudo o que me é exigido.

Consigo rir até do meu próprio tom melodramático.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

E agora?

Vir para o trabalho para me concentrar em algo útil e produtivo parecia uma excelente idéia.

Vir para o trabalho e ter que entrar nessa agência e nessa sala é uma idéia absolutamente estúpida com a qual eu terei que conviver.

Continuo esperando o que o sr. tempo vai me trazer, que ventos irá soprar, mas sem realmente esperar. Respirando, caminhando e fazendo. Como prometi pra mim que iria ser.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Desabafo desabado

Será que quando você erra, reconhece todos os seus erros em cada detalhe, e nasce toda a disposição do universo dentro de você para modificar o que está errado, melhorar... será que nessas circuntâncias você não merece uma segunda chance?

Quando você acha que não vei ter uma, dói.

Lógico que as mudanças e melhoras terão que acontecer de qualquer forma. Porque, acima de tudo, EU tenho que dar mais uma chance pra MIM.

O problema é que eu gostaria muito de compartilhar essa melhora com as pessoas que eu amo. E talvez, para isso, a vontade tão grande de melhora tenha vindo um pouco tarde demais. Talvez não, mas..

Não é que as pessoas terão responsabilidade sobre a minha melhora, sobre a minha mudança, sobre a minha felicidade. Eu já estou certa de que é isso que eu quero e que é isso o que vou fazer, ser feliz. Isso é uma responsabilidade minha e só eu posso transformar esse desejo, essa decisão em realidade.

O que dói é saber que pessoas tão importantes pra mim (simplesmente pelo que elas são) podem não viver os momentos bons que estão ppor vir comigo.

Paciência, é uma qestão de escolhas. As minhas eu jã fiz. E da mesma forma que não posso responsabilizar segundos ou terceiros pela minha melhora, não posso me responsabilizar pelas decisões alheias.

Independente, preciso tocar minha vida pra frente. Já tomo providências para me afastar do que me faz mal. Queria poder falar tudo isso. Eu estou tocando a minha vida. É. Estou.

Tomando as rédeas da situação fica mais fácil. E eu vou conseguir.

O tempo é o senhor da razão, não é assim que dizem? Então eu vou ter que esperar e ter calma para ver o que esse senhor me traz.