O que me incomoda no Carnaval não é o Carnaval em si. Não é o feriado, que é bom para mim por significar um pouquinho de descanso e tempo pra fazer outras coisas. O que faz com que não tenha toda essa paixão por Carnaval, como a maioria dos brasileiros parece ter, é simplesmente a mentalidade das pessoas acerca desse feriado.
Afinal, o que é o Carnaval?
Teoricamente, uma festa popular para aproveitar os últimos dias que antecedem a Quaresma. Mas no que ele se transformou? Em uma desculpa para bebedeira excessiva, musiquinhas insuportáveis, muvuca, promiscuidade, banalizações, etc.
Não sou nenhuma moralista, não. Tenho pavor de falso moralismo, assim como de hipocrisia. Tampouco sou puritana. Só acho que a ideia que as pessoas têm hoje em dia do que é “diversão”, uma completa distorção. Parece que é necessária uma inversão de valores durante quatro, cinco, sete dias, para que as pessoas se sintam felizes. Como se elas já não invertessem esses valores em quase todas as oportunidades que têm.
Eu entendo o Carnaval, seja de rua, avenida ou baile, como parte da cultura pop e, principalmente, como algo arraigado na cultura brasileira.
Lembro que quando era mais nova adorava ver na TV os desfiles das escolas de samba do Rio. Já até varei madrugada fazendo isso. Acho bonito o trabalho de um ano inteiro, minuciosamente estudado, daquelas comunidades. A alegria das pessoas envolvidas, ali na avenida. (Acho, sim, que tem nudez excessiva, mas, qual a hora no Brasil que não tem?)
Já trio-elétrico, sempre achei a pior invenção de todos os tempos. Barulheira, drogas, gente bêbada e sem noção. Não vou nem comentar as músicas. Não vejo graça em gente suada se amontoado e se empurrando. Pelo contrário, só vejo todos os defeitos que já citei nos parágrafos anteriores. Da mesma forma, os blocos de rua, quase todos eles perderam a verdadeira essência e significado, quase se igualando aos trios.
Por isso classifico o Carnaval com uma data descerebrada. Uma forma estúpida de escapismo. Uma desculpa e nada mais que isso. Uma ilusão de “felicidade”.
Talvez por eu achar que a felicidade e a diversão de verdade estão em outros momentos que vão muito além disso. Em sorrisos sóbrios e tranquilos, lugares agradáveis e civilizados, por exemplo.

Um comentário:
"Já trio-elétrico, sempre achei a pior invenção de todos os tempos."
É o fim!
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