Em boa parte das coisas que eu fiz de Natal e Ano Novo na Agência tinha a palavra “harmonia”. E por algum motivo, toda vez que eu olhava pra ela nos layouts, me chamava um pouco a atenção. Parecia que ela se separava um pouco dos desejos de paz, amor, saúde, prosperidade. Se destacava.
No Ano Novo, quando cada um dos presentes tinha que dizer uma palavra do que desejava em 2010, qual foi a que saiu da minha boca? Harmonia!
Nos primeiros dias do ano, eu comecei a achar isso muito irônico. Que “harmonia” era essa? Parecia que estava tudo se desarmonizando. Parecia que tudo estava se desmontando. Os fiozinhos de esperança de que essa harmonia chegasse foram sendo cortados um a um.
Depois eu entendi. Tem até aquela frase que diz que para você construir, às vezes, é necessário você desconstruir, desmontar, para colocar tudo no lugar. Inclusive no próprio Ano Novo eu escutei uma analogia como essa: para você organizar uma casa, reformar, é preciso tirar tudo de dentro e colocar cada coisa no seu lugar de novo, com cuidado para que realmente fique mais bonito e não mais feio.
Aí eu comecei a entender: talvez esse desejo de um 2010 de harmonia fosse mais que só um desejo, talvez eu tenha tido a chance de perceber que é o que eu preciso. E eu fui atrás de tentar harmonizar as coisas. Me reconstruir. Acho que é isso que eu tô tentando fazer agora, com tudo.
Reconstruir a ‘Roseana’ publicitária, profissional, redatora, criativa; descobrir uma segurança, uma busca, uma vontade de chegar onde eu quero. Deixar de ter medo do que sai da minha cabeça. Deixar de ter medo de parecer tola ou algo assim.
Reconstruir a ‘Roseana’ filha, que precisa ir reconquistando não só a confiança, mas até mesmo o orgulho da mãe e do pai. Que eles possam olhar pra mim e dizer: “Poxa, minha filha é forte, tá crescendo, aprendendo, se segurando sozinha”.
Reconstruir a ‘Roseana’ amiga, que acha interessante conhecer gente, conversar, saber como as pessoas vêem as coisas, como elas se comportam, o que elas querem. Que vai atrás de se envolver com as pessoas, sair, se divertir, fazer coisas diferentes. Sem esquecer as amizades antigas.
Uma outra ‘Roseana’ também que precisa de paciência com o tempo para se reconstruir.
Uma outra ‘Roseana’ também que precisa de paciência com o tempo para se reconstruir.
Mas, acima de tudo, há a necessidade de reconstruir a ‘Roseana’ para a Roseana, como pessoa, como eu me vejo, o que gosto de fazer, o que me faz sentir bem, o meu eu, mesmo. Mas é claro que numa versão melhorada.
Então eu espero que essa reconstrução toda me leve a tal da “harmonia”. Às vezes eu sinto ela chegando. Pode até ser um pouco cedo, mas eu fico de novo com aquela esperança de que eu vou conseguir chegar lá.

Um comentário:
texto bonito, sincero e, em especial, com uma boa perspectiva. Um bom ângulo de visão faz toda a diferença. Gostando disso.
Bjo, rô.
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